quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Aos mestres desconhecidos


Maria de Nazaré, ao dar a luz seu primeiro filho, foi assistida por uma parteira.
Não encontramos esta informação em Lucas, o dublê de médico e historiador que escreveu um evangelho que leva o seu nome na capa.
Também em nossos registros de nascimento não figura o nome do obstetra ou do pediatra que nos tiraram dos ventres de nossas mães. Na verdade, nem sequer se menciona a existência de suas funções.
Informações óbvias nem sempre aparecem nos documentos.
Nossas vidas são feitas de silêncios, mas não de ausências.
Palavras que nos disseram, mas quem as disse?
Imagens que vimos, mas não lembramos que vimos.
Cenas, coisas, pessoas que nos tocaram. Quem? Onde? Quando?
Talvez você saiba, mas eu não sei o nome da minha primeira professora, mas eu tive uma.
Não sei também os nomes dos meus colegas (nenhum! tragédia!) no antigo primário, mas eu os tive. Se você sabe, celebre.
Não sei qual foi a primeira historia de Natal que me contaram (quem me contou?).
Assim mesmo fui moldado por minha primeira professora.
Sou o que meus agora anônimos coleguinhas me ajudaram a ser, quando brincaram comigo ou me empurraram.
E se nos alongássemos nesses exercícios, notaríamos outras ausências nas varandas de nossas memórias, com pessoas reais cuja importância para nós cabe reconhecer e agradecer.
Mesmo que não nos escutem.
Para que sejamos mais humildes.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Crianças: Simples assim!


Passo em frente a uma escola.
Passo a passos de apressado.
Crianças brincam no intervalo das aulas na sala.
Uma grita:
-- Pastor!!!
Depois se vira para as colegas e informa:
-- É o pastor.
Todas vêm.
Nossas mãos se encontram por entre as grades, onde algumas se penduram.
Com uma comento:
-- Ah quanto tempo não te vejo.
-- Eu gosto muito de ir à igreja, mas, se meu pai não vai, minha mãe não vai.
Tristezas em nós.
Então, outra menina, de uns cinco anos, oferece a solução:
-- Todo domingo eu ligo para você e você vai comigo.
As coisas não são bem assim nesta idade.
Sigo meu passo a passos de apressado, a mente refletindo sobre as palavras perfeitas vindas das crianças.
Uma menina quer ir à igreja, mas seus pais não a levam.
Uma menina cujos pais a levam se apresenta para levar a amiga que os pais não levam.
A propósito, onde estarão seus filhos no domingo próximo?

Fonte: Prazer da Palavra (adaptado)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Vontade de Deus tem a ver com relacionamento


Vontade de Deus tem a ver com relacionamento, logo está menos para conhecimento e mais para obediência. Por isto, Jesus mesmo garante: "qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe" (Marcos 3.35). O apóstolo Paulo deixa claro que a vontade de Deus é que todos vivemos de modo santo (1Tessalonicenses 4.3), modo que está claramente apresentado na Bíblia.
Não existe, então, vontade de Deus? No sentido de plano obrigatório a ser seguido, não. 
No sentido de que há decisões boas e ruins, sim. Neste caso, devemos ler a Bíblia onde está todo o conselho de Deus. Devemos, ao mesmo tempo, orar em busca de orientação e aguardar a sua resposta, que pode vir por alguma maneira sobrenatural mas que geralmente vem através de sinais e placas,
como aquelas das ruas e estradas que percorremos, sempre em consonância com a Palavra de Deus já dada e jamais contraditada.

Fonte: Prazer da Palavra

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Se nos arrependermos, será tarde demais!


Edmilson, 60 anos incompletos, experiente motorista de ônibus, atropelou algumas pessoas.
Ao seu lado, um amigo percebeu o que ocorrera e puxou o freio de mão. Evitou assim tragédias maiores.
Uma colega, ao seu lado, percebeu que Edmilson estava passando mal e precisava de socorro, mas, antes do socorro, um grupo invadiu o ônibus que dirigia, arrastou-o para fora a bofetões para o linchar.
Não adiantou que alguns gritassem para contar que o motorista não estava bêbado e nem dirigia em alta velocidade.
Para os vizinhos, ele estava bêbado, ele dirigia embriagado, ele merecia morrer.
Mataram a socos, pedradas, extintores de incêndio e pedaços de pau um homem, cujo maior defeito, segundo um dos seus filhos, era trabalhar muito.
No dia seguinte, certamente muitos que o empurraram para fora ou procuraram objetos para lançar contra ele ou levaram suas mãos para o linchar, refletiram sobre seus gestos e viram como foram injustos e cruéis.
Tarde demais.
Quando julgamos o outro, sem o ouvir, nós o matamos.
Quando precipitamos atitudes, sem pensar, nós podemos nos tornar homicidas. Se nos arrependermos, será tarde demais.

Fonte: Prazer da Palavra
Foto: Ultimo Segundo

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sobre Pais e Filhos.

EU ME ALEGRO
Eu me alegro pelas novas gerações de cristãos: crianças, juniores, adolescentes e jovens.
Eu me alegro com aqueles que, nascidos no Evangelho, tornaram-no corajosamente seu.
Eu me alegro com aqueles que, tendo outros berços, fizeram da manjedoura de Cristo a sua casa.
Eu me alegro com aqueles que, tendo pais cristãos relapsos, foram além deles e hoje procuram viver de modo digno de Jesus.
Eu me alegro como o apóstolo Paulo se alegrava com a escolha de Timóteo, que ouviu o Evangelho de Jesus Cristo dos lábios e do corpo de sua mãe e sua avó e decidiu viver o Evangelho e pelo Evangelho.

EU ME ENTRISTEÇO
Eu me entristeço junto com os pais que choram os filhos que não mais compartilham a fé que um dia dividiram nos mesmos bancos de igreja e nas mesmas mesas de almoço, quando comentavam a aula, o sermão ou um louvor. Sempre que puderam, oraram com eles em casa, levaram-nos a igreja, compraram-lhes Bíblias e livros de valores, mostraram-lhes o caminho excelente. Sempre desejaram que fossem cristãos dedicados, como eles. Sempre deram exemplos de uma vida vivida diante de Deus. No entanto, em algum momento seus filhos fizeram outras escolhas, que precisam de respeito, regado a orações de joelhos feridos pela saudade e pela dor.
Quem assim se entristece faz parte da mesma galeria com Isaque, triste com a briga dos filhos (Esaú e Jacó) e suas partidas. E as lágrimas cederam lugar ao sorriso, quando um deles (Jacó) voltou para casa.

EU LAMENTO
Eu lamento os pais relapsos que até desejaram que seus filhos lessem a Bíblia, embora não o fizessem.
Eu lamento os pais omissos, que até esperaram que seus filhos se dedicassem à oração, apesar de nunca serem vistos por eles de joelhos à beira da cama.
Eu lamento os pais irresponsáveis que até insistiram para que seus filhos fossem à igreja, mas os levavam só nos domingos em que não tinham coisa "melhor" para fazer.
Eu lamento os pais críticos que até imaginaram que seus filhos acabassem se dedicando aos ministérios da igreja, como se fossem capazes de sobreviver à enxurrada de comentários depreciativos ao ensino da igreja, à música da igreja, à estrutura da igreja.
É como se eu pudesse me juntar a Davi em seu lamento pelo filho Absalão que, por falta de conselho do pai, seguiu os de Aitofel.

EU ME SOLIDARIZO
Eu me solidarizo com aqueles pais que reconhecem que foram relapsos, omissos, irresponsáveis e críticos e, agora, em lágrimas ajoelhadas, pedem perdão a Deus por não terem pastoreado seus filhos, que também não pastoreiam seus netos.
Eu me solidarizo com aqueles pais que, mesmo tendo perdido o rumo, agora se põem no caminho e oram por seus filhos, tentam orientar seus filhos e não desistem dos seus filhos e cuidam também de suas próprias almas.
Eu me junto a esses pais em oração.
E todos que oram com este pai seguem o exemplo de outro pai: aquele cujo filho pródigo (da parábola de Jesus Cristo) partiu, mas cujas orações trouxeram de volta.

Fonte: Prazer da Palavra

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A arte de não gritar!


Fiquei encantado com uma história de uma amiga.
Ela não provocou o assunto, que surgiu naturalmente em função de um trabalho que fazemos juntos.
Falávamos sobre a tendência de muitos em gritar e falar palavrões ao telefone.
Então, ela me falou do seu trabalho. A maioria dos pessoas -- usuária de um serviço público -- já começa gritando e xingando. Os colegas de trabalho respondem no mesmo tom ou desligam o telefone.
Ela ouve e procura resolver, mesmo que do outro lado, a voz esteja no máximo.
Acontece todos os dias, como ocorreu recentemente.
Uma senhora ligou e, antes dos cumprimentos de praxe, soltou sua catilena raivosa.
Depois de algum tempo, minha amiga pôde lhe falar. Calmamente, prontificou-se a resolver o seu problema. Do outro lado, ouvia-se apenas o silêncio, depois o gaguejo e depois uma palavra mansa.
O fim da história? A agressora pediu desculpas pelo telefone e, não satisfeita, foi expiar sua vergonha pessoalmente num encontro que insistiu em ter. Nos termos bíblicos, minha amiga pagou o mal com o bem.
Por que achamos que temos que gritar com quem grita conosco?
Não deve ser o outro que dita o tom de nossas palavras.
O rancor que habita o coração do outro não precisa habitar o nosso.
Se a grosseria do outro não for também a nossa, poderemos contribuir para que o grosseiro mude seu estilo de vida.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A tradição é necessariamente boa -- insistem alguns


Como cristãos, é bom saber que somos parte de uma grande nuvem de testemunhas, que começa a cobrir a terra antes mesmo de Jesus Cristo ser revelado como Salvador e Senhor. Graças à tradição, não precisamos reinventar a fé a cada geração.
No entanto, nossa inserção na tradição pode gerar um fechamento ao novo, capaz de refrigerar nossa compreensão da fé e iluminar nosso modo de comunicá-la aos sem-fé.
Além disso, o apego à tradição gera um lamentável tipo de restauracionismo, totalmente alheio à realidade histórica. O tradicionalismo se alimenta de uma miragem do passado, um passado inventado e idilizado. Assim, para sermos cristãos, precisamos resgatar as experiências do passado, esquecidos que o passado é irrepetível, uma vez que os contextos são diferentes e nós mesmos somos diferentes. O passado, real ou imaginado, não pode ser recuperado.
Quem respeita o passado deve respeitar as pessoas que o fizeram, já que o fizeram porque o seu tempo o demandou. Se queremos ser respeitosos para com os do passado, devemos fazer o que o tempo nos demanda fazer.
Devemos, antes, nos perguntar: por que fazemos o que fazemos? Faz sentido fazer o que fazemos?
O fato de sempre termos feito de um certo modo não é motivo para continuarmos a fazê-lo.
Devemos tomar cuidado para não transformar a tradição em palavra de Deus, porque não passa de palavra de homem, que negligencia o mandamento de Deus (Marcos 7.8).

Fonte: Prazer da Palavra